Segunda
Medo da policia
Para desembrulhar a caixinha que veio dentro do pacote.........
Cursava arquitectura na Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, e na ocasião, estava em São Paulo, em um congresso: CLEFA Congresso Latino-americano de Escolas e Faculdades de Arquitectura, e, já aproveitando para buscar meu carro novo, um fusca, que estava com meu pai, em serviço naquela cidade.
Meu carro já tinha nome, ele se chamou Flop, que foi o nome de um cachorro que meu irmão teve a muitos anos......não vale a pena esticar......
Pois bem, nesse congresso aconteceram duas coisas interessantes. Uma, é que conheci muita gente, da minha própria faculdade, inclusive, e a outra, foi um dos acontecimentos que mais marcou a minha vida.
Vamos a ele....
Era uma sexta feira, e todos os alunos do congresso combinaram de ir dançar numa boite.
Fiquei amigo de um rapaz, chamado Ivan, que era da minha faculdade, alguns semestres na frente.
Combinei de buscá-lo, pois ele estava hospedado em casa de parentes no centro da cidade, e ele não conhecia bem São Paulo.....
Marcamos 22H00 em uma determinada esquina, pois eu também não conhecia bem a cidade, apesar de ter nascido nela.
Cheguei, desci do carro, fiquei a espera, espreitando a todo lado a sua chegada.....e nada.
Fui a um barzinho por ali, e avistei dois policiais, com cara de poucos amigos, tudo bem, comprei um maço de cigarros.
Me olharam de longe, me dissecaram, me classificaram,....me desprezaram.
Voltei para o carro, me encostei nele e fiquei lá. Notei que os policiais foram à porta do bar e me olharam....
Abri o maço de cigarros, acendi, fumei......um,....dois,... e nada.
Até que enfim, ele chega, e me diz que o pessoal que o hospedara estava preocupado com ele, então fomos ao apartamento deles com a finalidade de avisar que ele tinha me achado e que estava tudo bem.
Ao virarmos a esquina, surgiram quatro policiais, com armas apontadas pra gente, gritando:
-Deita no chão! Deita no chão!
Deitei no chão molhado da recente chuva, com os braços abertos, o Ivan também.
Veio um daqueles "bailarinos" e pisou no meu ombro e começou a me apalpar. Na certa a procura de armas, drogas, microfilmes, etc....
....E eu apenas falava: " pelo amor de Deus, cuidado, eu tenho família, tenho pai, tenho mãe, sou estudante, tenho documentos, posso mostrar, posso provar....", com o resto de gagueira que me restava.
.....E o Ivan quieto.
Mandaram a gente se levantar e encostar na porta metálica da loja fechada, e fomos prontamente.
Abri os braços de novo, veio outro "bailarino", ou o mesmo, não vi porque estava de costas, chutou minhas pernas para abri-las, logicamente ele queria me revistar de novo.
Nesse ponto, eu não parava de tremer e chorar.
Me molhei todo.......de lágrimas.....só!
Um dos "bailarinos" me pediu os documentos, peguei e voltei na posição de "marginal".
O "bailarino" que leu meus documentos começou a fazer perguntas, muitas..... e eu respondia chorando e gaguejando, pois eu já era gago, e numa situação daquelas......pior fiquei.
Até que um dos policiais esbravejou que achava que estava escondendo alguma coisa, pois estava muito nervoso e gaguejando.
Ao que eu disse que era gago, ganhei uma coronha na nuca, que implodiu um choro compulsivo, e só me acalmei depois que os policiais revistaram o Flop todinho e se foram.
E o Ivan mudo, com os alhos arregalados que nem piscava.
Conclusão da história: o Ivan voltou pra casa dos parentes na mesma hora, e eu fui pra casa da minha tia, onde estava hospedado, pois a noite já tinha terminado pra mim.
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